O Vilarejo, Raphael Montes

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Sinopse oficial: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão. 

   A estreia do post da sessão Domingando vem com a dica de um autor nacional. Raphael Montes é apadrinhado por ninguém menos que André Vianco, autor de vários best sellers bem conhecidos aqui em terras brasileiras. Gosto do estilo de Vianco, mas hoje a gente conversa sobre o sucesso merecido do seu pupilo.

   Olhei O Vilarejo em uma promoção convidativa de livraria. Ele é ideal pro seu fim de semana com suas modestas 92 páginas, contando com ilustrações bem trabalhadas e títulos que enchem os olhos. A sinopse me fisgou de vez, já que não resisto a serial killers, crimes, demônios ou qualquer coisa sombria dentro de páginas bem estruturadas. Pois é, sabemos bem que nem só de casais açucarados vive uma estante feminina, né? 

   Muito bem. Eu me apaixonei pelo livro de tal maneira que o li em uma noite, sem parar: grudei os olhos e não tirava mais. As histórias são dinâmicas, elétricas, e se entrelaçam, apesar de serem independentes. Como assim? Bom, quem conhece a série American Horror Story pode entender melhor o que quero dizer, mas vou tentar explicar: são contos que funcionam independentemente e que podem até ser lidos fora de ordem, mas trazem uma nova perspectiva e descobertas inebriantes se lidos em sequência; são interligados de maneira discreta. Achei sensacional! Foi minha primeira experiência com um livro tão sucinto que fizesse isso, ainda mais da maneira incrível que Montes fez. De repente, você percebe que o conto que está lendo é relacionado com um lá do começo do livro! Isso colabora para que você não sossegue enquanto o livro não termina.

   Outra coisa que conquista: o livro é muitíssimo bem editado, ilustrado e detalhado. Várias páginas são totalmente pretas e outras têm pinturas simulando respingos de sangue. O enquadramento? Impecável. Não há uma palavra sequer mal encaixada, um parágrafo deslocado ou um desenho que poderia ter ficado em outro lugar. Os contos são todos maravilhosos: mas alguns me fizeram prender a respiração no final. Nem compensa citá-los aqui, porque o livro é tão curtinho e bem encaixado que tenha certeza: uma vez que começar, você não vai querer parar de ler. O Vilarejo foi minha porta de entrada para conhecer o trabalho do Montes, e já posso apostar que vou ler seus outros dois livros. Você pode dar uma pitada generosa de suspense pro seu fim de semana, que tal?

Bom fim de semana pra vocês, semana que vem tem mais.




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Criado por: Maidy Lacerda
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