Lugares Escuros, Gillian Flynn

segunda-feira, 23 de novembro de 2015


Sinopse oficial:  Libby Day tinha apenas sete anos quando viu a mãe e as duas irmãs serem mortas num massacre brutal na fazenda da família. Desde aquele dia, Libby passou a viver sem rumo. Uma vida paralizada no tempo, sem amigos, família ou trabalho. Mas, já adulta, quando é procurada por um grupo de pessoas obcecadas por crimes violentos, Libby começa a se fazer perguntas que até então nunca ousara e a questionar se existiria algum segredo por trás daqueles assassinatos.

   Achei Lugares Escuros jogado nas prateleiras inferiores em uma promoção irresistível. Infelizmente, não encontrei com a capa original (sim! Eu gosto delas. Quando é que começou essa febre de trazer a cara do filme para a obra original?), mas as sinopses que envolvem crimes já me interessam por natureza. Além disso, não esperava nada além de um espetáculo quando li quem tinha escrito o dito cujo. Fã assumida de Gillian Flynn: presente. Calma, calma: isso não me impede de olhar de forma crítica para as 351 páginas do originalmente chamado de Dark Places.

   Eu não estava totalmente errada. Lugares Escuros é bem menos dinâmico e elétrico do que seus antecessores Objetos Cortantes e Garota Exemplar, mas não é menos inteligente. Mais uma vez, Gillian Flynn não deixa nenhuma ponta solta nas dezenas de nós que vai espalhando durante a trama. Pela segunda vez, ela aposta no jogo de intercalar narrativas; quando o autor sabe brincar com esse estilo, a curiosidade é garantida! As frases de impacto e as reflexões de cada personagem me fizeram erguer as sobrancelhas várias vezes. Flynn não perdoa.
"Você precisa crescer, Libby. Precisa escolher um lado. Você pode passar o resto da sua vida tentando descobrir o que aconteceu, tentando raciocinar. Ou pode simplesmente confiar em si mesma. Escolha um lado. Fique do meu. É melhor."
   Algo que também se repetiu foi a complexidade da personagem principal. Não dá pra garantir que todo mundo vai amar Libby Day, mas ela é bem apresentada. Como de costume, os personagens de Gillian têm construção, traumas e consequências bem debulhados.

   O livro tem tantos detalhes que o filme (lançado esse ano) não conseguiu acompanhar, ainda que tenha Charlize Theron como protagonista e a cópia fiel da maioria dos diálogos. Mesmo assim, o livro não chega a ser arrastado: em vários momentos a surpresa fala mais alto e você simplesmente precisa ler o próximo capítulo.

   Outro ponto positivo é que temos aqui uma autora que pesquisa muito sobre os temas abordados nas suas histórias. A família Day mora em uma fazenda na década de 80, e como boa jornalista Flynn descobre tudo sobre o que rolava na época de relevante para a história. Ela vai fundo na cultura local, discutindo alguns preconceitos que acontecem até hoje dentro e fora de Kansas City: quem nunca escutou que o acusado de determinado crime só podia estar compactuado com o coisa ruim? Pois é... E isso é só um gostinho.

   De modo geral, Lugares Escuros é de fato bem construído, cativante; te faz refletir sobre si e sobre a sociedade, como boa obra da Flynn. Black Friday está chegando, que tal colocar na sua lista? Pra fechar, deixo com vocês o primeiro trecho do livro; mais sinistro, impossível. Espero vocês no próximo post!
"Eu tenho uma maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão. Corte minha barriga e talvez ela escorra para fora, viscosa e escura, e caia no chão para que você possa pisar nela. É o sangue dos Day."

Classificação final


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Criado por: Maidy Lacerda
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