Estação Carandiru, Drauzio Varella

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

   Sinopse oficial: Dentro de suas paredes grossas, a posse de um maço de cigarros pode  significar a diferença entre permanecer vivo ou morrer. Com uma população de mais de 7.200 presos e a dez minutos do centro da cidade, a Casa de Detenção de São Paulo, ou simplesmente o presídio do Carandirú, constitui um universo singular e quase desconhecido. Seus habitantes obedecem às normas de conduta da instituição e submetem-se, queiram ou não, a um rígido e implacável código penal próprio. Lá, homens como Mário Cachorro, Sem-Chance, Jeremias, seu Luís e Filósofo passam o dia soltos e são trancados nas celas à noite. Estação Carandirú é o relato de dez anos de convivência do médico Dráuzio Varella com os ocupantes da Casa de detenção. Médico cancerologista, iniciou um trabalho voluntário de prevenção à AIDS no Presídio em 1989.


   Drauzio Varella é muito mais que um médico-celebridade. Com uma carreira brilhante e diversas ações humanitárias realizadas desde a juventude, ele inspira muita gente (incluindo eu) a refletir sobre valores morais, suas escolhas e seus conceitos. Pelo menos uma boa parte de tamanha influência se deve ao fato de Varella ser, além de tudo, um excelente escritor. Estação Carandiru (ou simplesmente Carandiru, como chamado em algumas edições) é a prova disso.

   A edição de bolso é apenas mais compacta que a padrão, mas não possui cortes ou contrações. Em qualquer que seja sua versão, Estação Carandiru é um livro que faz pensar em cada vez que você reclamou dos seus amigos, da sua família ou condição financeira. Não estamos falando aqui de um livro de autoajuda, longe disso: Drauzio Varella carrega em cada linha a leveza de uma conversa de amigos, como quem conta casos em um almoço de família. É durante a leitura desses relatos que você se dá conta de que há muito mais profundidade nas experiências retratadas do que em um livro cheio de dicas.

   Os casos são separados como se fossem contos, sem ordem cronológica. Em boa parte das vezes, é apresentada a história de um personagem que se liga a outro: no capítulo seguinte, a história deste outro personagem é desenvolvida. Em todo caso, é possível fazer a leitura dos contos de forma aleatória, o que não recomendo: lendo tudo de forma linear, é possível sacar algumas conexões que emocionam e pegam de surpresa. Cá entre nós, uma amiga minha sonhou com um dos momentos mais marcantes do livro. E a gente sabe que, quando entra nos sonhos, o livro é de fato inesquecível.

   Estação Carandiru deu origem a um verdadeiro clássico cinematográfico nacional, o também excelente "Carandiru". Sobre o filme, existe algo curioso: ele é totalmente diferente do livro. Como isso é possível? Bom, não sei ao certo. Os dois possuem ritmos bem parecidos, mas o filme mistura uma história com a outra, troca personagens e conta tudo de forma diferente. Ainda assim, consegue captar boa parte da essência do livro.

   Ainda assim, é impossível não recomendar a leitura. O sucessor Carcereiros será comentado em breve aqui no blog, mas por enquanto que tal aproveitar as horas de tédio do fim de semana e se render a um dos livros mais famosos do tal médico do fantástico? Fantástica mesmo vai ser sua experiência (péssimo trocadilho, desculpem)! Beijo!


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