Orgulho e Preconceito e Zumbis

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

 
Sinopse oficial: Uma releitura trash do popular romance de Jane Austen. A abertura dessa cultuadíssima versão de Seth Grahame-Smith para a obra do século XIX já destaca as surpresas geradas pela praga misteriosa que se abateu sobre os campos aristocráticos do Sul da Inglaterra, onde os defuntos estão retornando à vida e partem crânios de pessoas comuns para devorar seus miolos.
   Não é uma delícia começar um novo ano fazendo a leitura de um livro com o qual você tinha todas as expectativas do mundo e ainda conseguiu ser surpreendido positivamente? É maravilhoso! Pena que isso não aconteceu comigo. Calma, calma, vamos conversar sobre Orgulho e Preconceito e Zumbis sem desespero; tem muito mais o que falar sobre a obra que vai ter o filme exibido a partir do mês do vem.

   Romances que envolvam toda uma trama ao redor do casal, ainda que bem trabalhados (os famosos "água-com-açúcar") não me atraem por natureza, é verdade. Não sou a maior fã de histórias que falam sobre amores, impossíveis ou não, salvo raríssimas exceções. Contudo, existem obras clássicas que fica impossível não conhecer: Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é uma delas. Ambientado no século XVIII, a obra de Jane conta a história da rebelde Elizabeth e do misterioso Mr. Darcy. É um romance muito bem escrito, verdade: os diálogos pesados e a escrita super rebuscada não o fazem um livro trivial.

   Foi aí que alguém (e esse alguém se chama Seth Grahame-Smith) teve a ideia de colocar uns zumbis na história. Pois é: peles caindo, mortos grunhindo e toda aquela carnificina em pleno romance secular. Brilhante! Será?


   Bom, antes de explicar os por quês da mashup novel de Seth ter sido um desastre para mim, acho bacana comentar com vocês o que é uma mashup novel. Trata-se de um gênero literário, por assim dizer, em que um autor usa um universo clássico (portanto, já existente) e acrescenta qualquer coisa nele.

  Dito isto, gostaria muito de escrever que senti que em Orgulho e Preconceito e Zumbis os mortos-vivos foram encaixados de forma sensacional e inusitada. Isso não aconteceu.

   A sensação é de que os zumbis foram jogados em cenas marcantes do Orgulho e Preconceito original - como no baile do começo da história, por exemplo. Não existe uma releitura, sendo os novos integrantes colados em trechos quase aleatórios. Os traços de humor são bem questionáveis: dá pra arriscar uma leve risadinha na primeira vez em que você vê uma cena clássica sendo substituída por zumbis, mas só. Depois cansa, e o humor dá lugar a uma história sem brilho; como se um adolescente entediado tivesse pego a obra de Austen e resolvido colocar um grupo de criaturas ávidas por cérebro nela - e olha que dou risada de piadas muito, muito ruins.

   É claro que o choque entre os dois estilos pode ocasionar sensações totalmente diferentes em outros leitores - você pode morrer de rir, quem sabe? No meu caso, porém, não consegui sentir uma introdução bem feita dos personagens de Seth e isso tirou qualquer traço de humor. Os zumbis não mudam nada na história, que sofreu alterações apenas em alguns detalhes: há um treinamento ninja das irmãs de Elizabeth (o que não foi muito convincente: ninjas na europa em 1797?), a tal praga que assola a Inglaterra (para encaixar a origem dos zumbis, ok) e o desejo do pai das garotas, que é que elas prossigam se defendendo e estudando artes marciais.

   A Elizabeth sarcástica, inteligente e equilibrada de Jane Austen também se perdeu. Em Orgulho e Preconceito e Zumbis, ela é uma ninja ranzinza que parece estar sempre mal humorada e sedenta por combates.

   De forma geral, é um conceito de livro interessante com um resultado desagradável. Particularmente, acho que a ideia de mashup novel em si tem muito a oferecer, mas Orgulho e Preconceito e Zumbis não foi um bom começo no gênero.

Classificação final


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Criado por: Maidy Lacerda
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