Os Sete, André Vianco

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Sinopse oficial: Uma caravela portuguesa de cinco séculos é resgatada de um naufrágio no litoral brasileiro. Dentro dela, uma misteriosa caixa de prata esconde um segredo: sete cadáveres aprisionados, acusados de bruxaria.
Apesar das advertências grafadas no objeto de prata, A equipe do departamento de história da Universidade Soares de Porto Alegre decide violar a caixa para estudar os corpos. Afinal, que perigo poderiam oferecer aqueles sete cadáveres? Nenhum. Mas depois que o primeiro deles acorda...
   A recomendação de hoje para o seu fim de semana é cheia de vampirismo. E quando eu digo vampirismo, estou falando do tradicional: com aversão ao sol, problemas com estacas de madeira e muito, mas muito sangue. Os Sete foi publicado independentemente por André Vianco, seu autor, há 16 aninhos atrás. Mais tarde, a Novo Século se interessou e passou a publicar a história de sete vampiros portugueses em terrinhas brasileiras. E não é que a história é boa?

   Em se tratando de vampirismo, não sou fã de repaginadas muito radicais. Quando li a sinopse, fiquei com medo de ter invenção demais e ser um daqueles livros em que o vampiro é mais uma estratégia de marketing do que  um personagem. Talvez justamente por ter sido escrito antes da febre de vampiros modificados, Os Sete é um prato cheio para quem prefere as criaturas sobrenaturais do jeito que sempre foram: desalmadas, eletrizantes e cheias de fome e de charme.

   Confesso que demorei para me acostumar com o jeito da escrita de Vianco. Simples e objetiva, chega a ser um pouco simplória em alguns momentos: por exemplo, para se referir ao poder de um dos vampiros libertados (Inverno), muitas vezes a expressão frio sobrenatural é usada. Venhamos e convenhamos, há uma infinidade de palavras que ele poderia ter usado para falar sobre a habilidade em praticamente congelar tudo a sua volta. Contudo, não é um detalhe que chega a incomodar e a leitura flui sem complicações.


   Quem está acostumado a literatura estrangeira pode se chocar ao perceber que a história se passa no sul do Brasil, e que expressões e costumes tão presentes em nosso cotidiano são abordadas. Os palavrões, gírias e gestos são bem brasileiros: não encontramos tanta familiaridade com livros americanos, por exemplo.

   Os vampiros de Os Sete são apaixonantes, especialmente se lhe agrada o tipo a la Anne Rice: classudo, chique e sanguinário. Inverno, Espelho, Acordador, Tempestade, Gentil, Lobo e Sétimo são as sete criaturas despertadas por Tiago e companhia, um grupo de pesquisadores de Porto Alegre. Os vampiros são originários do século XV de Portugal e possuem superpoderes particulares. Essas características rendem momentos cômicos, como quando eles descobrem a eletricidade ou avistam helicópteros pela primeira vez.

   Lá pela metade do livro, você já não sabe para quem está torcendo: para Tiago, Eliana e o restante dos pesquisadores ou para os sugadores de sangue humano. André Vianco faz o despertar dos vampiros ser lento na medida e envolvente, encorpando a personalidade de cada um deles e cativando o leitor sem que ele perceba.

   Os Sete tem suas continuações (Sétimo e O Turno da Noite, este último com três volumes), mas carrega um brilho e uma originalidade única. Um ar puro para quem prefere a versão (quase) original de uma lenda tão respeitável como o vampirismo. Rende horas de diversão, pequenos frios na espinha e a esperança de que ainda existem muitos tipos de vampiros pelas prateleiras da livraria!

   Espero que o fim de semana de vocês seja tão gostoso quanto esse livro. Beijos!


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Criado por: Maidy Lacerda
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