Uma Curva no Tempo, Dani Atkins

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016


Sinopse oficial: A noite do acidente mudou tudo... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim... Ou funciona?

A noite do acidente foi uma grande sorte... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

   Completei 23 anos recentemente mas cada vez me convenço mais de que existe uma velha ranzinza, rabugenta e reclamona dentro de mim, especialmente em se tratando de livros românticos. Levando em consideração a atração por sinopses que envolvem sangue, crimes e psicopatas (não se deixem enganar pelo visual rosa-fofo desse blog, senhoras e senhores), talvez essa velhinha seja também meio sanguinária. O problema é que quando ela gosta da sinopse de um romance ela não fica sossegada até ler o dito cujo: e foi desse jeitinho com Uma Curva no Tempo, fruto da doce mente de Dani Atkins (se você está na dúvida... Sim, é uma mulher).

   Aquele velho ditado que diz para não julgar um livro pela capa vem se enfraquecendo ultimamente com tantas capas bonitas e bem trabalhadas. A Arqueiro caprichou no acabamento tipo emborrachado e na ilustração muito bonita: clean, delicada e cheia de meiguice.

   A sinopse mexeu comigo, apesar de nem tão inovadora assim. Esse negócio de voltar no tempo já deu bastante pano pra manga, né?! O filme Efeito Borboleta e o livro nacional A Casa (André Vianco) são exemplos de histórias onde são discutidas as consequências e os deleites de ações parecidas;  de fato, algumas tramas excelentes foram baseadas em premissas nesse sentido. Eu esperei ansiosamente por um livro que fizesse o leitor se questionar sobre suas escolhas, se perguntasse "e se?" frequentemente e sentisse aquele frio na barriga... Mas não foi bem assim.

   A leitura de Uma Curva no Tempo é gostosa, mas sem muitas surpresas. Como eu disse no começo do post: talvez eu carregue internamente uma senhora ranzinza e insensível para romances cheios de renda, mas esperava uma história mais profunda baseada em amizade, traumas e a lei da causa e efeito. O que acontece na realidade é um bem embalado e gostosinho caso de amor focado em um casal platônico/trágico/manjado, que é simpático e enfeitado com obstáculos clichês. Mas só isso. Se fosse um filme, seria um bonitinho da Sessão da Tarde para os dias de fossa.


   Senti falta de uma maior profundidade da protagonista, Rachel. Ela é uma típica personagem principal com sua vida amorosa, vida profissional e amizades pouco detalhadas. Esperei em alguns capítulos encontrar lembranças, aspectos psicólogicos ou até mesmo alguma reviravolta na história que a fizesse mais real, digamos assim. Alguns personagens ganham um pouco mais de foco durante a narração e em seguida desaparecem, como é o caso de uma das amigas de Rachel e até mesmo do seu pai. De forma geral, ela é uma daquelas personagens onde podemos encontrar um pouco de cada mulher: feita sob medida para que as leitoras mais sensíveis se identifiquem e exclamem "nossa, essa sou eu!". Sim, você... e boa parte do mundo!

   Da metade do livro pra frente, já se pode desconfiar do final. Ele não é ruim, mas um pouco preguiçoso: terminou de forma definitiva mas sem responder todas as perguntas. Ficaram algumas lacunas e eu confesso que fiquei um tanto quanto confusa, esperando peças de um quebra-cabeça que não apareceram.

   Uma Curva no Tempo é gostosinho, doce e simpático, mas nada mais que isso. Uma leitura agradável para uma viagem, um fim de semana... Mas não marca a vida. Não entrou na lista dos livros que mexeram com a minha estrutura, que me emocionaram ou me fizeram refletir. Por outro lado, não chega a ser um dos romances que abandonei por excesso de adjetivos melosos e clichês. Prende a atenção, é leve e bem trabalhado, mas não o suficiente para se tornar inesquecível.


Classificação final


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Criado por: Maidy Lacerda
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