Revival, Stephen King

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sinopse: Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante de Charles Jacobs. Todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes do reverendo. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Agora, o elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo.

   Stephen King é, provavelmente, um dos autores mais famosos e bem conceituados da atualidade. Contando com várias adaptações cinematográficas, seus livros são conhecidos pela boa estrutura narrativa, emoções profundas causadas no leitor e muito, mas muito suspense e sustos bem pensados. É com toda essa expectativa que comecei a ler Revival, que pintou aqui na estante de casa como um ótimo presente de Natal. A edição da Suma de Letras está impecável como sempre: capa holográfica,  folhas amareladas e nenhum erro de tradução ou digitação.

   Um ponto muito positivo na história de Revival é que a narrativa é em primeira pessoa, mas não é feita pelo personagem principal. O livro todo é rodeado pelas ações e pensamentos de Jamie Morton, mas os acontecimentos todos têm influência de Charles Jacobs. É como se a história tivesse dois personagens que sofrem interferência direta um do outro, mas a narração feita por somente um deles deixa tudo mais envolvente e muito mais misterioso.

   Aliás, falando em personagens... Jamie Morton é um aspirante a astro do rock. No começo do livro, esse fato não parece ter muita importância, mas a verdade é que as páginas seguintes são recheadas de referências musicais e até mesmo dicas de bons hinos do Blues, Rock Clássico e outros gêneros similares. Durante toda a história, a personalidade confusa e problemática de Jamie vai tomando forma e ele acaba sendo um personagem muito complexo, mas pouco carismático. Não consegui me apegar a ele; toda a emoção que senti em Revival veio dos acontecimentos em si e de toda a loucura do outro personagem principal, por assim dizer.


   Charles Jacobs começa como um reverendo doce e excêntrico, mas razoável. Mais pra frente, continuei me simpatizando com ele... Mas é inegável que ele vira um cara deprimente, obcecado pelos poderes da eletricidade... E meio ranzinza.

   Aliás, muito se fala de eletricidade e algumas leis da Física nessa obra de Stephen King. Se você não está preparado para viajar um pouco sobre condução de energia, teletransporte e outros "fenômenos", é melhor adiar um pouco essa leitura. Revival é um livro denso, mas pouco chocante: bem fora dos padrões de outras obras mais clássicas de King, como O Iluminado e Saco de Ossos, por exemplo.

   O final da história não é ruim, mas também não surpreende muito. É totalmente plausível dentro do que viveram os personagens ao longo de suas dezenas de encontros e desencontros. Em matéria de construção de jornadas, Stephen King é mestre absoluto e dessa vez não fez diferente: ele sabe dar sentido aos pilares de ligação do começo, meio e fim. Só não sei se estou mais acostumada com pitadas de horror e muito mais suspense, o que não há nem mesmo no final de Revival.

   É uma história dramática, pesada e bem estruturada, mas pouco parecida com o que Stephen King costuma entregar. Se você pretende começar essa leitura, esteja preparado para conhecer um autor diferente do que está acostumado. Se é sua primeira leitura de King, saiba que Revival é um ponto fora do curva, mas não deixa de ser bom a sua maneira.

Classificação final


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Criado por: Maidy Lacerda
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