Carta de Amor aos Mortos, Ava Dellaira

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sinopse oficial:  Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.
   Como prometido, o Olhei no Rodapé está de volta! Sem muitas delongas, o retorno do blog vem com o que ele mais se propõe a fazer: uma resenha. E pode preparar a pipoca que temos muito sobre o que conversar! Hoje falamos sobre Cartas de Amor aos mortos, da americana Ava Dellaira.

   Como fã de rock, a sinopse do livro já me pareceu um tanto quanto interessante e original. Há muito que não me agrada as propostas de romances adolescentes. Falta profundidade, faltava autenticidade. Era sempre a mesma história do mocinho e da mocinha, talvez com alguma dificuldade - ou doença terminal - para dar um ar trágico na história. Mas tudo isso soa comprado, calculado, sem emoção. Talvez uns papos com Kurt Cobain fossem mais diferentes, né? E são.

   Carta de Amor começa sem pretensão e você corre o risco de pensar que o livro todo será sobre uma menina sem graça que não superou a morte da irmã. A escrita é simplória, quase infantil nas primeiras páginas; isso garante lealdade a personagem principal, pois Laurel é uma (pré?) adolescente que desabafa com seus ídolos. Do vocalista do Nirvana à Amy Winehouse, passando por Janis Joplin e Jim Morrison, ao longo do livro fica muito claro as razões de tanto apego por pessoas famosas.

   Laurel tem a personalidade muito influenciável e delicada no começo do livro. Ao longo das cartas, é notória sua evolução não apenas como personagem mas como narradora, e é bem possível que você se identifique com muitas das dúvidas e medos dela. Demorou bastante para que eu conseguisse me apegar a ela, confesso, mas Cartas de Amor é um livro claramente direcionado a reflexão: você não precisa gostar dos personagens, mas refletir sobre a história deles.

Sabe, docinho, existem duas coisas importantes no mundo: estar em perigo e ser salvo.

   Ao longo dos acontecimentos (e das cartas. Porque sim, todo o livro é feito de cartas e mais cartas), você vai descobrindo que o livro é muito mais profundo do que parece. Não é apenas um desabafo adolescente fictício; é sobre a influência da perda, sobre identidade, sexualidade, maturidade, desafios, abusos. É toda uma reflexão gradual que te envolve sem que você perceba.

   A morte de May é um assunto que vai e volta o tempo todo o livro inteiro. Quando Laurel está conversando com seus ídolos sobre sua paixão por Sky, o porre que tomou na festa com as amigas ou outros assuntos que - acredite - você vai querer saber, surge novamente a saudade e o desespero pela irmã nos parágrafos seguintes. Quando me peguei incomodada com isso, percebi: mas não é desse mesmo jeito na vida real? Quando perdemos alguém querido e seguimos em frente, não acontece muitas vezes o retorno daquele sentimento de vazio e angústia?

   Alguns confrontos psicológicos que Laurel enfrenta diariamente e são muito importantes ficam claros apenas na segunda metade do livro. É muito gostoso quando um livro te surpreende em sua profundidade, deixando rastros que você não esperaria encontrar e marcando de uma forma positiva. Por algum motivo, ainda não foi minha melhor leitura anual - aquela que dá um verdadeiro anúncio "sou inesquecível" no final, sabe? Mas, sem dúvida, é um livro profundo e bem trabalhado.

   A separação dos pais da protagonista, seus relacionamentos (afetivos ou não) e sua própria descoberta por identidade tornam a leitura envolvente. É gostoso ver como Laurel evolui como pessoa, aprendendo a lidar com seus traumas e limitações. No fundo, fica a esperança de que um dia todos nós consigamos também.

Classificação final
  


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Criado por: Maidy Lacerda
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