O Orfanato da Srta. Peregrine..., Ransom Riggs

terça-feira, 14 de junho de 2016

Foto por: A Quimera blog
Sinopse oficial: Eleito uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, é um romance que mistura ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigoas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo - por mais impossível que possa parecer - ainda podem estar vivas.

     Quanto tempo sem resenhas! Mas voltei com tudo. Esse livro é um daqueles que você dá de cara na livraria e enlouquece pelo título + capa, sabe? Pelo menos foi assim comigo. Achei a capa esquisita e o título mais ainda, e confesso que adoro uma bizarrice... Não pensei duas vezes e trouxe pra casa; só mais tarde descobri que se trata de uma trilogia seguida ainda por A Cidade dos Etéreos e Library of Souls, este último ainda não lançado oficialmente (o título tem tradução livre para algo como A Biblioteca de Almas. Se tem algo que Ransom Riggs faz bem é escolher título!). No Brasil, a editora responsável pela publicação da saga é a Leya. Finalmente, eu resolvi dar uma chance pro livro sobre As crianças X-men, como disse meu namorado...
 
  A aparência do livro é agradável, mas vamos falar disso mais pra frente. O que encontrei no começo foi uma história devagar, mas não entediante. Jacob é um adolescente típico, sem maiores problemas ou complexidade de personalidade que o difere dos demais protagonistas juvenis. Eis que algo acontece na família dele e ele fica traumatizado, viajando mais tarde com o pai para a ilha citada na sinopse. É aí que o livro começa de fato, porque ele encontra Emma - uma garota que pode fazer fogo com as mãos - e os demais peculiares, que nada mais são do que velhinhos em corpos de criança com superpoderes. Nada assustador nem nada do tipo com exceção de Enoch, um personagem que fica transplantando corações para dar vida a homenzinhos de barro. O livro chama isso de homunculi, mas para mim ainda parece um conjunto de coisinhas macabras criadas de uma forma esquisita.


   Falando em esquisito... Logo de cara assumo que o casalzinho formado durante o livro me causa arrepios. Totalmente inadequado para o meu gosto; não consegui sentir um pingo de vontade para que os dois ficassem juntos! Pode ser que isso seja apenas implicância da minha parte, mas acho que esse romance foi totalmente dispensável para a história e não causou nada além de arrepios. 
   Pausa para um comentário extra: vocês sabem que O Orfanato vai ganhar um filme dirigido por ninguém menos que Tim Burton?! Olha só que show o trailer:



   Bom, voltando a falar do livro... As fotografias tão faladas na contracapa são bacanas no começo, pois ainda fazem jus a descrição anterior e passam um pouquinho de credibilidade. Lá pelo meio do livro, vira uma festa do caqui e a gente não consegue mais decidir se dá risada ou leva em conta as tais fotografias. Algumas nem se encaixam na descrição ou foram tão grosseiramente alteradas ao longo dos anos que simplesmente não dá pra levar em conta. O que achei muito legal foi a lista de fontes que tem no final do livro. Lá, você consegue ver onde o autor achou cada foto, o título e a quem pertence cada uma. Quase me fez simpatizar novamente com elas.

   Quando O Orfanato atinge lá pela sua metade, tudo começa a ficar um pouco mais ralo. A história começa a mostrar sua face de 100% ficção. No começo, é possível estabelecer algumas metáforas (minha mente fervilhou achando que eu estava lendo algum paralelo com a segunda guerra mundial, seus sobreviventes e as crianças judias), mas nesse ponto não mais. Não que o livro seja ruim, mas eu classificaria como infanto-juvenil, não jovem. Sou jovem e gosto de livros mais maduros, poxa. 

   De repente, Jacob se transforma no corajoso, destemido, inteligente, imbatível... Aquele herói impressionante. Não há uma construção como houve em Harry Potter, por exemplo, ou uma rebeldia nata como há em Percy Jackson. É só uma transformação repentina que serve pra embalar um final levemente interessante, mas pouco plausível.

   De modo geral, é uma leitura bacana, sim! As crianças peculiares são fofas, você acaba se apegando um pouquinho à elas; Jacob é um protagonista neutro, dá pra simpatizar com ele sem muito esforço. Porém, devo dizer que achei o destino do pai dele um tanto quanto cruel. Será que ele não merecia uma consideração maior? Ele já é um frustrado estudante de pássaros/escritor, que vive um casamento mais ou menos... E Jacob mente tanto durante o livro pra no final jogar toda a verdade sobrenatural na cara dele e deixá-lo sozinho? Achei desumano, insensível e mal planejado. Não me sinto tentada a ler a continuação! Mas valeu a experiência.; Rende algumas horinhas de diversão, mas acho que vai ser um daqueles raros casos em que o filme é mais legal que o livro...

    
Classificação final



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Criado por: Maidy Lacerda
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