Dexter: A Mão Esquerda de Deus, Jeff Lindsay

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sinopse oficial: Dexter Morgan é um educado lobo vestido em pele de ovelha. Ele é atraente e charmoso, mas algo em seu passado fez com que se transformasse numa pessoa diferente. Dexter é um serial killer. Na verdade, é um assassino incomum que extermina apenas aqueles que merecem. Ao mesmo tempo, trabalha como perito da polícia de Miami... Em Dexter, a Mão Esquerda de Deus, o livro que deu origem à aclamada série de TV, o adorável matador depara-se com um concorrente de estilo semelhante ao seu, encanta-se e incomoda-se com ele, prevê seus passos... A escrita requintada de Jeff Lindsay nos faz mergulhar na mente de um dos personagens mais ambíguos da história da literatura de suspense. Nunca o macabro foi tratado com tanto refinamento e leveza. Dexter Morgan é uma obra-prima. 


   Sabe quando você lê uma sinopse de um livro que parece super interessante  e se apaixona de cara? O gênero lhe agrada, a capa não é a mais linda do mundo mas é condizente com o tema... Enfim, tudo te chama para aquela leitura. Mas você simplesmente esquece. Vai adiando, adiando... Até que decide ler o tal livro, nem que seja apenas para matar a curiosidade. Foi assim que decidi ler Dexter: A Mão Esquerda de Deus, na minha lista desde 2010 (pois é! Muito tempo!), dois anos depois de seu lançamento. Ele é o primeiro de uma série de sete livros da autoria de Jeff Lindsay, e se você assim como eu é muito fã de uma boa trama policial pode ser a pedida certa pro seu fim de semana.


  Antes de tudo, acho válido dizer que sim, eu assisti a série por completo. Até hoje é uma das minhas tramas favoritas, apenas excluindo o final (que eu e quase toda a audiência detestou). Contudo, procurei ler Dexter: A Mão Esquerda de Deus totalmente preparada para algo diferente da série; estava procurando uma boa história com sangue e crimes, e não necessariamente uma transcrição de algo que eu já havia visto. Portanto, tenham certeza de que minha resenha sobre o livro é totalmente independente da série.


"Seja lá o que me faz ser do jeito que sou, deixou um buraco vazio por dentro, incapaz de sentir. Não parece grande coisa. Tenho certeza de que a maioria das outras pessoas finge bastante no convívio diário com os outros."
 
   A narrativa é em primeira pessoa e o autor maneja isso com maestria. Dexter tem um sarcasmo inteligente que lembra um pouco outros personagens muito famosos, como por exemplo o Doutor House. Acontece que Dexter é um serial killer psicopata e isso deixa tudo mais interessante: ele não somente é esperto, mas altamente racional e se define como sendo desprovido de sentimentos. O que ocorre é que, ao longo do livro, vamos descobrindo junto com Dexter que ele talvez não seja tão insensível assim.

   Dexter Morgan, o protagonista, é um perito criminal que trabalha em Miami. Especialista em analisar manchas de sangue e absolutamente fascinado pelo universo da matança, Dexter teve um tutor que lhe ensinou a seguinte regra: mate apenas quem merece morrer. Ciente das técnicas policiais para descobrir criminosos, Dexter tem uma vida dupla: metade na delegacia, metade caçando assassinos, estupradores, pedófilos e outros criminosos para matar. É quando aparece uma nova pessoa... Alguém que consegue colocar um toque de sadismo e perfeição em seus crimes. Isso vira a vida de Dexter de cabeça pra baixo!

   É um livro lento, mas não é pesado. Como assim? Bom, em alguns momentos as divagações de Dexter ocupam várias e várias páginas, mas eu confesso que não senti como se Jeff quisesse enrolar o leitor e sim como se estivéssemos mais perto de compreender o que se passava na mente de Dexter. Ele tem o tal do passageiro sombrio, uma espécie de personalidade extra que lhe confere uma dose interessante de autoconhecimento. Dexter Morgan é bem planejado, articulado e bem desenvolvido. Talvez a participação de Ilana Casoy (uma grande especialista em perfis de serial killers. Ela inclusive escreveu um livro que resenhei aqui também, lembram?) tenha ajudado em tamanha fidelidade ao que imaginamos ser um psicopata, digamos assim, "bem feito". Nada daquela história de galã sentimental que decide matar alguém pra tornar as coisas mais sombrio: trata-se de um protagonista sombrio de verdade. Muito mais plausível!

   O restante dos personagens não possuem uma profundidade tão grande, exceto Harry (o pai adotivo de Dexter). Contudo, é possível captar a essência e personalidade de muitos deles, o que talvez se torne mais concreto nos livros seguintes.

   Falando em livros seguintes... Dizem que a história na série segue um rumo completamente diferente das obras de Lindsay a partir do segundo livro. O que sei (e agora sim estabelecendo um paralelo) é que a primeira temporada da série é muito fiel ao livro; confesso que imaginei os atores várias vezes durante alguns parágrafos. Contudo, fiquei com a sensação de que o programa de televisão precisou de mais enredo para encher um temporada toda e modificou a intensidade de alguns núcleos para deixar a série mais encorpada. De todo modo, foi muito satisfatória a adaptação do ponto de vista de fidelidade, mas é preciso dizer que o livro tem um clima diferente e não menos formidável.

   Dexter: A Mão Esquerda de Deus contém suspense na medida ideal e consegue fazer com que você se apegue a um protagonista assassino. É brilhante, fascinante e original. Confesso que me arrependo de não ter lido antes! Fica a dica pra esse fim de semana. Grande beijo e até o próximo post!


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Criado por: Maidy Lacerda
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