Dias Perfeitos, Raphael Montes

quarta-feira, 20 de julho de 2016


Sinopse: Téo é um estudante de medicina um tanto quanto solitário: suas atividades se resumem basicamente entre cuidar da mãe paraplégica e dissecar cadáveres nas aulas de Anatomia. Em um churrasco que vai contra sua vontade, ele conhece Clarice, uma jovem que sonha em ser roteirista de cinema e está trabalhando em um road movie chamado "Dias Perfeitos". Téo começa a se aproximar de Clarice de forma insistente e diante das recusas, opta por uma atitude drástica: sequestra a garota e inicia uma viagem - a mesma viagem dos personagens do roteiro de Clarice. Dias perfeitos tem um clima sombrio e claustrofóbico de efeito perturbador, repleto de reviravoltas. 
   A sinopse de Dias Perfeitos não me atraiu tanto quanto os outros dois livros de Montes (que inclusive têm resenha aqui no blog, vocês já viram?: Suicidas e O Vilarejo). Contudo, eu sou totalmente encantada pela capacidade de Raphael em envolver o leitor, criar histórias inteligentíssimas e principalmente: em ser sombrio. Muito, mas muito sombrio. A escrita dele é minha favorita entre os autores nacionais atualmente, e hoje eu vou conversar sobre o motivo que fez o rapaz de 24 aninhos entrar de vez na minha estante e no meu coração: seu segundo livro. 
   A narração é em primeira pessoa, mas é aquele narrador tendencioso; aquele espertão que sabe de tudo e faz questão de descrever os pensamentos dos personagens, sabe? Em Dias Perfeitos, é responsável também por causar muita, mas muita agonia. Gente, eu estou acostumada com cenas fortes. Sempre gostei de livros e filmes de suspense/horror/terror e similares, e preciso dizer que já assisti/li muita coisa forte. Não, nunca tinha visto nada parecido com essa história: o danado do narrador narra detalhes de uma forma sutil e quando você vê, pow! Já está chocado, passado, aterrorizado, com aquele olhar de desespero no transporte público que faz todo mundo te olhar com um semblante esquisito.

   Téo é um psicopata nato (atoooron histórias com psicopatas). O que acontece é que, graças ao bendito narrador, você consegue saber exatamente o que Teodoro está pensando. E olha, já te adianto: não é nada meigo. O infeliz é inteligentíssimo, calculista e impiedoso (dãr, ele é um psicopata!) de uma forma grotesca. Primeiro, você sente pena da atitude dele para conseguir o telefone de Clarice... E até simpatiza um pouco. Depois, você fica com ódio pela vida inocente que ele arrebata sem sentir um pingo de remorso ou culpa. Lá pelo quinto capítulo você já está abismado. Por quê não no primeiro? Bom, o que Montes faz é que o leitor tenha uma verdadeira experiência com gente que faz como Téo: chega de mansinho, parecendo inocente... E destroça sua vida.

   Clarice... Gente, coitada. É desesperador o que ela passa nas mãos de Téo! Como se não bastasse, ela é uma personagem muito bem construída. Não é uma donzela indefesa: reage, pensa, humilha, sente, se desespera, tenta se defender. O que ocorre é que Téo é de fato inescrupuloso e muito perspicaz: imagina uma criatura dessa estudando medicina? Pois é. É tranquilizante pra lá, corte pra cá... Só que nada sem propósito, nada jogado na história. Tudo tem um motivo bem construído, fazendo parte de uma teia que enrola e desenrola até a última página.

  Parando para refletir,  Dias Perfeitos me ensinou algumas lições interessantes, como acredito que acontece com qualquer livro bem escrito: primeiro, mesmo os melhores médicos ou as pessoas mais endinheiradas ou bem vistas socialmente oferecem perigo potencial. Segundo, a vida nem sempre é justa. Pois é, o desfecho...

   Eu adorei. Imprevisível, plausível e reflexivo, exatamente como pelo que percebi é a cara de Montes. Coincidentemente, os três livros escritos por ele entraram na minha lista de favoritos. Em Dias Perfeitos, ele mantem a habilidade de tirar o leitor da zona de conforto, especialmente no final. É uma leitura sem dúvida perturbadora mesmo, incômoda, emocionante. Simplesmente imperdível! Recomendo a pessoas que gostam de um excelente suspense, romance policial ou gêneros semelhantes. E, lembrem-se: em se tratando de Raphael Montes, é bom se preparar!

Classificação Final


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Criado por: Maidy Lacerda
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