O que há de Estranho em Mim, Gayle Forman

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Sinopse oficial: Na primeira ficção de sua carreira, Gayle Forman narra a corajosa saga de cinco garotas presas em uma espécie de centro de tratamento  residencial. Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.


   Gayle Forman é muito famosa por construir histórias fortes e dramáticas, como Se eu Ficar, por exemplo. Porém, essa é a primeira vez que uma obra dela me atrai pela sinopse: sempre quis ler alguma coisa que se passasse em um sanatório, porque acho a temática muito forte e cheia de potencial pra desenvolver tramas bem feitas e complexas. Contudo, O que há de Estranho em mim é muito mais leve do que parece. Ué, mas como assim um livro que se passa em um reformatório leve? Pois é.


   A narração é em primeira pessoa: Brit narra os acontecimentos de acordo com sua visão. Durante todo o livro, ela fala bastante sobre seus pais e seus melhores amigos. Ela faz parte de uma banda e tem tatuagens e cabelos coloridos de rosa, o que contribui pra um visual quero-ser-rebelde até que bem simpático. O romance que permeia a trama tem papel coadjuvante e confesso que o achei um tanto quanto desnecessário, mas não chega a ser algo que atrapalha o desenvolvimento da história... É até bonitinho de vez em quando.

   As amigas de Brit são a vitrine que a autora usa para tratar de temas com sexualidade, saúde e doenças psicológicas. As meninas têm personalidades um tanto quanto estereotipadas, repetindo as mesmas gírias com frequência, carregando gestos repetitivos ou trazendo em cada diálogo características vocais que Brit descreve todo o tempo. Apesar de tudo isso, são personagens até que cativantes e bem graciosas, o que traz para o livro uma leveza que eu não esperava encontrar.

"Não existem madrastas malvadas, não existem fadas madrinhas, não existem príncipes encantados. Não existe um destino predeterminado. É você que manda no destino. É você que decide o que faz."

   O que Há de Estranho em Mim é de leitura fluida, muito simples e gostosa. Gayle Forman tem uma narrativa que consegue envolver sem se tornar infantil, e você se vê curioso pelo próximo capítulo sem ao menos perceber isso. Apesar de Brit ser uma adolescente sem maiores complexidades, com uma personalidade não muito explorada, consegue estabelecer laços com o leitor simplesmente por se abrir com tanta frequência sobre seu passado e seus sentimentos.

   Aos poucos, as amigas de Brit vão se mostrando com traumas mais relevantes do que parece no começo da história. É gostoso torcer para que as meninas superem suas mágoas, mas não espere um livro extremamente profundo e que te traga reflexão: O que Há de Estranho em Mim é uma diversão despretensiosa, levemente adocicada, e só por conseguir fazer isso em um cenário de sanatório Gayle Forman já merece palmas. Esperava algo mais profundo, confesso, mas não me decepcionei porque o livro é interessante da forma dele. Uma boa literatura juvenil, mas não achei muito mais que isso.

Classificação final


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Criado por: Maidy Lacerda
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