Perdão, Leonard Peacock, Matthew Quick

sexta-feira, 1 de julho de 2016


Sinopse oficial: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem aos poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

   Pra ser bem sincera sempre sou, mas né, acho que são poucos os livros de literatura jovem atualmente que trazem uma certa profundidade. A não ser um punhado de auto-ajudas, que falam diretamente sobre bullying e outras questões parecidas, é cada vez mais raro encontrar nas estantes algo que seja ao mesmo tempo direcionado a um público mais jovem mas ao mesmo tempo tenha uma temática um pouco mais "pesada", por assim dizer. Foi também por isso que a sinopse de Perdão, Leonard Peacock, de Matthew Quick, me interessou. Assisti o filme de seu famoso O Lado Bom da Vida, e sabia que ele sabia mexer bem com questões delicadas. Resolvi começar a ler a história de um adolescente que pretende se matar até o fim do livro. E olha... Me surpreendi. 


   A narrativa de Matthew é leve e despretensiosa, mas isso não impede que Leonard seja um adolescente extremamente interessante como personagem. Não é simplesmente um moleque que resolveu roubar uma arma e sair matando; ele tem uma mãe desajustada e outras feridas emocionais perfeitamente encaixáveis no dia-a-dia de um adulto, inclusive no do leitor. Ao longo do livro, vamos descobrindo uma série de coisas que magoou (ou magoa) Leonard e o quanto esse fardo fica pesado pra ele ao longo do tempo. Por isso, é possível se colocar perfeitamente no lugar do personagem principal e se simpatizar rapidinho com ele. 

   Um ponto criativo mas que achei um pouco maçante para ler foram as cartas do Leonard do futuro para o Leonard do presente. Achei um pouco perdido, apesar de (acho) entender bem qual a intenção de Matthew ao colocar esses recados ao longo do livro: olhe tudo o que Leonard vai perder, olhe só as coisas que ele vai deixar de viver se realmente conseguir em prática seu plano de matar seu ex-melhor amigo e cometer suicídio.

"Pense por si mesmo e faça o que é certo para você, mas permita que os outros façam o mesmo!"

   Bom, o que acontece é que Leonard vai descobrindo e desenvolvendo muito mais do que seus problemas. Ele passa a perceber muito melhor o mundo à sua volta quando lembra que tem pouco tempo pela frente. E não dá pra deixar de dizer que Perdão, Leonard Peacock é cheio de frases de efeito. Em algumas páginas tive vontade de grifar tudo, porque me identifiquei e achei especial absolutamente tudo que estava escrito nela. Mas e então? E o final do livro?

"A chave é fazer algo que marque você pra sempre na memória das pessoas comuns. Algo que importe."

   Como vocês sabem, nunca conto finais aqui. Mas o que posso falar é que Matthew Quick conseguiu surpreender: mesmo que você pense que já sabe o final lendo a sinopse, te garanto que vai se emocionar. O que Perdão, Leonard Peacock joga na nossa cara é que as coisas não são simplesmente do jeito que devem ser, e que a vida é sim injusta. Seus problemas não vão desaparecer só porque você merece, infelizmente. Muitas vezes é preciso aguentar fardos mais pesados do que estamos preparados, e o autor mostra isso com maestria e emoção. Definitivamente, é um dos meus livros favoritos simplesmente porque consegue ser profundo e leve ao mesmo tempo. Encantador pro seu fim de semana! Espero vocês aqui no blog semana que vem!


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